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Jon Lee Anderson e sua tréplica

November 18th, 2007 · · 189 Comentários

O prezado Reinaldo Azevedo está convidado a copidescar – por certo dará trabalho – mais esta tradução. É a tréplica de Jon Lee Anderson, da New Yorker, a Diogo Schelp, de Veja. Sua primeira mensagem, comentando a reportagem de Schelp sobre Che Guevara, foi publicada aqui; a resposta de Schelp, também. (Peço apenas que não aponte como erro o ‘gentileza’ inicial, aí embaixo. É Anderson fazendo pouco do inglês do editor de internacional de Veja; difícil traduzir essas coisas.)

Prezado Diogo Schelp:

Agradeço pelo sua ‘gentil’ resposta. (Soube que você é de fato uma pessoa muito ‘gentileza’; você mesmo o disse duas vezes em suas mensagens.) Só agora percebo, o mal-entendido entre nós nasceu exclusivamente por conta de meu caráter profundamente falho. Eu jamais deveria ter presumido que você recebera meu email inicial em resposta ao seu ou minha segunda mensagem a respeito de sua reportagem, muito menos deveria ter considerado que você pudesse ter decidido ignorá-los. É evidente que você tem um sistema de bloqueio de spams muito rigoroso. Uma dica técnica: talvez devesse configurar seus sistema como ‘moderado’ e não ‘extremo’. Se o fizer, talvez comece a receber seus emails sem quaisquer problemas. Lembre-se, Diogo: moderado, não ‘extremo’. Esta é a chave.

Você me acusa de ser antiético, um ‘mau jornalista’. Questiona até se posso ser chamado de jornalista. Nossa, você TEM raiva, não tem?

Enquanto tento parar as gargalhadas, me permita dizer que, vindo de você, é elogio. Permita, também, recapitular por um momento a metodologia utilizada por você para distorcer as informações que o público de Veja recebeu:

Você publicou na capa e na reportagem uma grande quantidade de fotografias de Che, aproveitando-se assim da popularidade da imagem de Guevara para vender mais cópias de sua revista. Para preencher seu texto, você pinçou uma certa quantidade de referências previamente escritas sobre ele – incluindo a minha – para sustentar sua tese particular, qual seja, a de que o heroismo de Che não passa de uma construção marxista, como sugere seu título: ‘Che, a farsa do herói’.

Para chegar a uma conclusão assim arrasa-quarteirão, você também entrevistou, pelas minhas contas, sete pessoas. Uma delas era um antigo oponente de Che dos tempos da Bolívia. As outra seis, exilados cubanos anti-castristas, incluindo ex-prisioneiros políticos e veteranos de várias campanhas paramilitares para derrubar Fidel. (Um destes, o professor Jaime Suchlicki, você não informou a seus leitores, é pago pelo governo dos EUA para dirigir o assim chamado Projeto de Transição Cubana.) Percebi também que você prestou particular atenção no testemunho de Felix Rodriguez, ex-agente da CIA responsável pela operação que culminou na execução de Che. O fato de que você o destaca quer dizer que você o considera sua melhor testemunha? Ou terá sido porque ele foi o único que algum repórter realmente entrevistou pessoalmente? Os outros, parece, Veja só falou com eles por telefone. Mas como são rigorosos os critérios de reportagem de Veja!

Como disse em minha ‘carta aberta’ a você, escrever uma reportagem deste tipo usando este tipo de fonte é o equivlente a escrever um perfil de George W. Bush citando Mahmoud Ahmadinejad e Hugo Chávez. Em outras palavras, não é algo que deva ser levado a sério. É um exercício curioso, dá para fazer piada, mas NÃO é jornalismo. Dizer a seus leitores, como você diz na abertura da reportagem, que ‘Veja conversou com historiadores, biógrafos, ex-companheiros de Che no governo cubano’ passa a impressão de que você de fato fez o dever de casa, que estava oferecendo aos leitores um trabalho jornalístico bem apurado, que apresentaria algo novo. Infelizmente, a maior parte do que você escreveu é mera propaganda, um requentado de coisas que vêm sendo ditas e reditas, sem muitas provas, pela turma de oposição a Fidel em Miami nos últimos quarenta e tantos anos.

Minha questão não é política. Escrevi um livro, como você mesmo disse, que é ‘a mais completa biografia’ de Che. Há muito lá que pode ser utilizado para criticar Che, mas também há muitos aspectos a respeito de sua vida e personalidade que muitos consideram admiráveis. Em outras palavras, é um retrato por inteiro. Como sempre disse, escrevi a biografia para servir de antídoto aos inúmeros exercícios de propaganda que soterraram o verdadeiro Che numa pilha de hagiografias e demonizaçoes, caso de seu texto.

Não cometa o erro de me acusar de defender Che porque critico você. Serei claro: a questão aqui não é Che, é a qualidade do seu jornalismo. Sua reportagem, no fim das contas, é simplesmente ruim e me choca vê-la nas páginas de uma revista louvável como Veja. Seus leitores merecem mais do que isso e, se aparecerei ou não novamente nas páginas da revista enquanto você estiver por aí, não me preocupa. O que PREOCUPA é que, com tantos jornalistas brilhantes como há no Brasil, foi a você que Veja escolheu para ser ‘editor de internacional’.

Cordialmente,
Jon Lee Anderson.

Atualização – O Daniel Lopes publicou em seu blog a carta acima no inglês original.

Tags: América Latina · História · Mídia

189 Comentários até agora ↓




  • 1 Bender // 18/November/2007 às 16:44

    Sinceramente? Eu acho que o problema é da Veja, que tenta sempre ter uma visão inovadora, mesmo que ela não seja condizente com as fontes citadas.

    Às vezes o conteúdo editorial é incrivelmente contraditório, por isso que tenho resisitido um pouco em lê-la.

  • 2 Idelber // 18/November/2007 às 17:02

    Pô, assim não vale! Recebi o texto em inglês do Daniel Lopes, cheguei a traduzir dois parágrafos, vim aqui catar o link anterior e vi que você já havia aprontado essa aí. Não tive escolha senão copiar e citar. Abração, Pedro.

    PS: eu havia traduzido o “kindly” como “…que você é uma pessoa muito ‘gentilmente’”, hehehe. Poderíamos fazer uma lista das traduções mais divertidas da brincadeira: a do RA provavelmente será algo como “você é uma pessoa ‘tipo’”.

  • 3 Fabio Negro // 18/November/2007 às 17:09

    Biiiiiiiiiiiicho! Quem tem alguma caráter, bou ou mau, deve estar com mkuita vergonha alheia do Diogo.

    Quero destacar, tanto aqui como na primeira resposta do Anderson: veja como ele faz APONTAMENTOS (essas coisas de citar trechos da reportagem e refutá-los), numerosos, caudalosos e para alguns (eu) até irresistíveis.

    Enquanto a réplica do Diogo é bastante vaga, num tom infanto, birrento, sem citar trechos da carta de Anderson, usando (muuuuito mal) as boas e velhas estratégias do Schopenhauer:
    Desvia o assunto para o interlocutor. Ele é um jornalista anti-ético! Ele não sabe usar e-mail! Ele é comunista! Ele é um bobão!

    Independentemnete de quem está com a razão, Anderson PARECE ter muita razão, enquanto o Diogo Schelp parece ter perdido a sua razão e a cabeça.

  • 4 pedro direitoba // 18/November/2007 às 17:14

    Nada demais para mim e outros que repetimos que o Reinaldão é uma zebra de pijama de bolinhas. Que os babantes direitobas se pronunciem e derramem suas direitobices nesse blog!

  • 5 Catatau // 18/November/2007 às 17:15

    Nooossa

    Não é por nada, mas foi na mosca. Sem ad hominem, considerando a atitude da reportagem, o recolhimento das informações…

    Provavelmente, a última palavra (esperemos agora os grunhidos)

  • 6 Fabio Negro // 18/November/2007 às 17:19

    A qualidade da Veja desde que começou o período Lula.

    Quem leu vai se lembrar com certeza: uma reportagem escrita para a revista, se não me engano, pelo Jerônimo Teixeira, sobre um livro americano que desmentiria TODAS as teorias de conspiração envolvendo o assassinato de John Kennedy.

    18 vezes mais tendenciosa que essa matéria sobre Che, usando frases de 5 palavras para desmerecer teorias bastante repseitáveis, foi a primeira vez na minha vida que meu coração palpitou (juro pela minha mãe!) não pelo assunto tratado, mas pela forma como foi escrita.

    Sério fiquei abalado, e olha que eu pouco me fodo pra jornalismo em geral. Notícia é o que acontece na minha cidade. Mas essa… foi como sentir alguém enfiando cordinhas no meu cérebro, sei lá.

    Daí que agora, na Veja, eu só passo os olhos pela seção de cinema e literatura (que são lamentáveis, mas…)

  • 7 Alba // 18/November/2007 às 17:24

    Grande resposta de Anderson! Como alguém disse aí em cima, fico constrangida, envergonhada, pelo Diogo Schelp. Já o Reinaldão, merece! :)

  • 8 adelaide // 18/November/2007 às 17:30

    Fábio Negro, seção de cinema e de livros na Veja só em consultório do dentista, oculista e semelhantes.

  • 9 Thiago // 18/November/2007 às 17:42

    uhu!

  • 10 Fabio Negro // 18/November/2007 às 17:44

    Ah, eu sempre tento achar uns gibis no consultório do oculista :)

  • 11 Microempresário // 18/November/2007 às 17:52

    Não sou inimigo da Veja nem a acho a pior do gênero. Mas não lembro de ter lido algo tão vergonhoso como uma edição especial da mesma quando o Brasil ganhou a copa em 2002. Além de um texto bisonho, digno de jornalzinho de grêmio estudantil, os caras acharam que elogiar a “maravilhosa” seleção do Felipão era pouco, e resolveram falar mal de todaas as anteriores. Lembro de a seleção de 82, aquela do Zico, do Júnior e do Falcão, foi chamada de desastrosa, entre outros adjetivos.

    Acho que o problema começou quando a Veja achou que ela, sozinha, derrubou o Collor, e com isso tornou-se inatingível e infalível.

  • 12 Lise // 18/November/2007 às 18:17

    Pedro, por favor, indique um link para a carta original. Estou morrendo de vontade de ver o jogo de palavras com a palavra “gentileza”… e talvez a resposta em inglês do Schelp.

  • 13 Dom Casmurro Patriarca // 18/November/2007 às 18:38

    “Infelizmente, a maior parte do que você escreveu é mera propaganda, um requentado de coisas que vêm sendo ditas e reditas, sem muitas provas, pela turma de oposição a Fidel em Miami nos últimos quarenta e tantos anos.”
    A mesma coisa se poderia dizer da maioria do pessoal que anda escrevendo para a Veja ultimamente, fora algumas honrosas excessões.

  • 14 SK // 18/November/2007 às 18:46

    Utilizando a técnica de apagar incêndio com gasolina:
    1) Essa babaquice tecnológica (de não receber e-mail) é papo furado puro, de ambas partes. A configuração de “extremo” para “moderado” é de uma infantilidade…

    2) Quem sempre tornou públicas as cartas foi o Anderson. A do Schelp só ficou pública por insistência do Reinaldo (vide o post dele). Acho que ele deveria ter continuado no diálogo particular e não perdido terreno adentrando-se na lama onde o outro já havia se jogado.

    3)Reductio ad hominem - parágrafo 3. Quando começa se nessa discussão, a falácia permanece e os argumentos são inoperantes neste campo.

    4)Ele quis defender uma tese e utilizou os dados de fontes que lhe forneceriam o material mais útil para seu ponto de vista - claro, anti-Che. Até agora nada da reportagem foi contestada, apenas as fontes

    5) Che pessoalmente poderia ser muito amável. Foi valente? Consta que sim. E assim cria-se o mito. Mas o conjunto da sua obra é que é inútil (Estou evitando ao máximo a lei de Godwin.). Que legado ele deixou? Congo? Bolívia? Cuba? Se alguém escrever que Cuba é um exemplo, eu compro passagem para passar dez anos na ilha (sem direito a retorno neste período). O seu “desapego ao poder” em Cuba foi decorrente de fracasso administrativo, brigas com os dirigentes cubanos e o conflito soviético. Ele queria espalhar o comunismo pelo mundo. Foi bom não ter conseguido.

    6)A Veja fez um bom trabalho ao dar um tapa na cara das pessoas, desconstruir o mito (esse sim o “legado”) e mostrar uma faceta negativa do homem.

    7)A reportagem da Dorrit Harazim para a Veja em 1997 , citada em post anterior não enfeita grandes obras do Che. Apenas mostra o fascínio e as memórias coletivas da população local pelo Chel, quando seus ossos foram achados. O fascínio da Dorrit explica-se por seu passado. O de Schelp faz um contraponto. Solidariedade e justiça social era sua mensagem? Gandhi foi mais eficaz.

    As facetas existem, mas não podem ser escondidas pelo mito.

  • 15 Ricardo Cabral // 18/November/2007 às 18:47

    Tenho dúvidas se haverá resposta de Schelp. E se por acaso houver, torço para que ele, ao menos desta vez, tente desmontar os argumentos de Anderson sobre o tipo de jornalismo que a tal matéria representa. Por último, o que teria a dizer Duda Teixeira, co-autor da tal matéria da Veja sobre os 40 anos da morte do Che? Sabe que depois do Éd Lascar ter chamado a atenção para o nome dele — no post sobre o “Reizinho” “apresentando” a “réplica” do Schelp (desculpem tantas aspas, mas são necessárias) —, até que fiquei curioso com as idéias do rapaz?

  • 16 Salci Fufu // 18/November/2007 às 18:53

    Quem é mixuruca agora?

    Agora quero ver Gaynaldo subir nas tamancas.

    O argumento de que Anderson está despeitado vai continuar até quando? Não foi Anderson quem fez o primeiro comentário, foi Dioguinho em sua reportagem que citou e elogiou o livro de Anderson.

    Anderson respondeu, só que arrasou com a reportagem de Dioguinho. O que vão querer argumentar agora?

    Dioguinho deve permanecer focado só no Anderson, e fingir que o assunto foi causado por caixas postais mal configuradas.

    Gaynaldo vai tentar agredir a todos, vai tentar desviar o foco, vai cair de pau no governo e vai mentir, como é de seu caráter.

    Vamos nos divertir, com certeza. E vamos conhecer mais um pouquinho das personalidades doentias dos “meninos moços” que o grupo Abril colocou para embuxar seus canhões.

    Só falta agora o Mainardi entrar no assunto também.

    Essa turminha dos Diogos e do Gaynaldo foi bem retratada aqui: http://agorabauru.blogspot.com/2007/11/barbara-gansa.html , deu até vontade de copiar o post todo e colar aqui, mas acho que é muito grande e tem imagens muito divertidas.

    Só mais um comentário: Anderson não entendeu o que Dioguinho quis dizer sobre ele parecer não ser jornalista.

    É que para essa laia, jornalista não pode bater em jornalista. Tipo assim: “Pô meu! Não bate não, sou jornalista!”

  • 17 Marcus // 18/November/2007 às 19:05

    Hehehe. SK reclama de um pequeno ataque irônico do Anderson ao Schelp, de uma linha e meia, e silencia sobre os longos parágrafos de ataques do Schelp e do Rei-tardado ao Anderson.

    Dois pesos, duas medidas. Parabéns.

  • 18 ricardo Alexandre da Silva // 18/November/2007 às 19:06

    Todos que leram a reportagem constataram sua parcialidade. Pretendia-se desconstituir o mito em torno de Che Guevara. Para tantou, ouviu-se fontes parciais. O resultado não podia ser diferente. Não há nuance. É preto no branco.

    Isso, contudo, não impede reflexões sobre Guevara e, talvez, a parcialidade de Veja sirva como contrapeso à de tantos defensores cegos de Guevara, uma figura indubitavelmente endeusada pela esquerda. Pretendia-se, penso eu, botar fogo na fogueira, propõsito distante do melhor jornalismo.

    Assim, parece-me que Schelp sai diminuído como jornalista, pois a ele caberia ressaltar aos leitores a parcialidade de suas fontes. Quando menos, impunha-se a ele ouvir “o outro lado” e fazer uma síntese. Essa é a diferença entre panfleto e informação.

    Reinaldo Azevedo, uma vez mais, faz triste figura. Por mais que eu compactue com o liberalismo que ele diz professar, suas acusações ad hominem são pra lá de irritantes e vazias. Basta não apoiar a totalidade de seu texto para ser chamado de idiota, imbecil, ignaro, apedeuta…Um pouco de sofisticação intelectual não lhe cairia mal. Ele corre o sério risco de, em breve, não ser mais levado a sério, tamanha sua dificuldade em aceitar a crítica.

    O que ele fez com Foucault ao analisar o filme “Tropa de Elite” é o supra sumo da retórica vazia. Em duas linhas tascou um “lixo” para toda a obra de Foucault, sem mais aquela. Ora, ainda que se rejeite todas as teses do teórico da normalização, a refutação delas exige mais que um texto tolinho. Até lembra o astrólogo e dublê de filósofo atacando o Gramsci…Uma lástima…

    Em tempo, antes que eu seja atingido por fogo amigo, destaco que não sou um defensor de Foucault, nem, tampouco, um gramsciano. Longe disso! Apenas me parece de todo inapropriado que as teorias deles sejam “rebatidas” em textos curtos e vazios, cuja retórica não apresenta qualquer valor científico. Esse tipo de postura, anti-intelectual e pouco objetiva, bem lembra os retóricos da esquerda “destruindo” Weber, Hayek e Popper com meia-dúzia de adjetivos.

    Nisso tudo, ainda que eu não endosse grande parte das suas opiniões, fecho questão com o Doria, muito mais confiável e ponderado que os histéricos de Veja.

    Apesar disso tudo, o semanário de maior circulação no Brasil ainda tem grande importância. Basta lembrar que foi Veja quem deflagrou a cassação de Severino Cavalcanti, o afastamento de Jader Barbalho e a licenciatura de Renan. Isso não é pouco.

    Cordialmente,
    Ricardo Alexandre da Silva.

  • 19 Éd Lascar // 18/November/2007 às 19:13

    Anderson está sentido , ainda. Não refuta nada do que Diogo apurou e se acha o melhor biscoito do pacote.

    Recorre a detalhes vulgares e imputações sem cabimento.

    Lixo.

  • 20 Éd Lascar // 18/November/2007 às 19:14

    Eu não vou mandar esta resposta ao Reinaldo Azevedo que já tem muito que analisar deste petroditador Chavez.

    Se não tem pano pra manga!

    :o)

  • 21 Ricardo Cabral // 18/November/2007 às 19:32

    SK, dois pontos sobre o seu comentário:

    Sobre o seu ponto n. 3, sua consideração só se aplicaria se não houvesse existido, na carta do Schelp, comentários toscos tais como o último parágrafo de sua réplica, que reproduzo (com um grifo meu):

    “Eu não sei que tipo de imagem de si mesmo você quer criar (ou proteger) negando os fatos que o seu próprio livro mostra, mas está claro agora que é a de alguém sem ética. Você pode ficar certo de que não aparecerá mais nas páginas desta revista” (Schelp)

    Sinto dizer, mas o que você chamou de reductio ad hominem é mais do que questionável, uma vez que que essa ameaça do senhor Schelp foi mesmo risível. O comentário do Anderson ali não é nem um pouco central em relação aos argumentos que tece ao longo de sua tréplica.

    Sobre o item 6 do seu arrazoado, esse é o ponto-chave da discussão. A matéria publicada na Veja quis claramente desmontar o mito, e esse desejo a priori resultou num mero panfleto barato, que só faltou dizer que o Che tinha mau-hálito e ejaculação precoce — porque sobre não gostar de banho ela fez questão de frisar, uma informação importantíssima, ao que parece, crucial para mostrar como era sanguinário… —, mas que não contextualiza as ações do Che, nada diz sobre o que era o mundo na época, e do regime anterior ao de Castro diz apenas sobre a queda do ditador Fulgencio Batista — ou seja, tratava-se mesmo de uma ditadura, não é? — e que o propósito original do movimento que o derrubou seria “a instauração da democracia em Cuba” (Revista Veja, 03-10-07). Dizer que a revista Veja “fez um bom trabalho” com essa matéria é insultar a capacidade crítica de qualquer um que saiba analisar um texto, e que consiga pôr minimamente de lado a “torcida” a favor ou contra…

  • 22 dona de casa gorda // 18/November/2007 às 19:32

    o triste fim de uma revista.

  • 23 Salci Fufu // 18/November/2007 às 19:35

    Reli hoje uma matéria chamada “O poder hipnótico de Che sobre as mulheres”, do argentino Pablo E. Chacón ( http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1975468-EI6580,00.html ), nela tem um trecho interessante, bem no final, um trecho de uam carta que Che deixou para os filhos quando foi para a Bolívia, vale a pena ver.

    Diz o autor: E eis também um trecho da carta de despedida de Guevara aos seus filhos, datada de 1965, pouco antes de ele partir para a Bolívia. “A meus filhos. Queridos Hildita, Aleidita, Camilo, Celia e Ernesto. Se algum dia tiverem de ler estar carta, será porque não mais estarei entre vocês. Quase não se recordarão mais de mim, e os pequeninos nada lembrarão. O pai de vocês foi um homem que tentou agir de acordo com aquilo que pensa e, garanto-lhes, foi fiel a suas convicções. Cresçam como bons revolucionários. Estudem muito, para que possam dominar a técnica que permite dominar a natureza. Recordem-se de que é a revolução que é importante, e que cada um nós, por si só, nada vale. Sobretudo, sejam sempre capazes de sentir da maneira mais profunda qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. Essa é a mais bela qualidade de um revolucionário. Até sempre, meus filhinhos, espero voltar a vê-los um dia. Um grande beijo e um grande abraço do papai”.

  • 24 Esprit de porc // 18/November/2007 às 19:40

    Bem feito, pediu pra levar porrada e levou uma sova!

    Delsio, desconfio que o RA vai comentar essa resposta apesar da sua não-participação…

  • 25 SK // 18/November/2007 às 19:45

    Ricardo,

    O título da reportagem era “A Farsa do Herói”. Ele tem que ir atrás de pessoas que são contra ele. Fidel seria uma fonte, mas falaria a verdade? A idéia era passar por cima como um trator por cima da santidade da figura. Mostrar que ele pretendia era um mundo justo e eqüalitário, como Cuba, a ex-URSS, Cambodja, Coréia do Norte etc, que não funcionaram na prática e foram brutais; além disso ele também não era flor que se cheirasse. Pessoalmente era um doce de pessoa (olha eu tangenciando a Lei de Godwin).
    Quanto ao Reinaldo, suas hipérboles e paranóia são problemáticas. Sua tendência ad hominem também é muito ruim. O que é elogiável é o raro exercício de lógica, pouco praticado na crítica.
    Acho que bater em Foucault e Gramsci é meio chutar cachorro morto.

    Marcus,
    O post era sobre a tréplica de Anderson. Se quer que eu comente a resposta do Schelp, este também foi infantil na última linha, sobre não aparecer mais na Veja.
    Sobre o RA, reforçando acima, quando parte para o ad hominem ele perde a força dos argumentos.

    Éd,
    É isso aí. Linhas e linhas e nenhuma contestação.

    Complementando, eu queria saber o que Che fez de bom para a humanidade?

  • 26 SK // 18/November/2007 às 19:52

    Sobre a Veja: há matérias sofríveis e de qualidade/finalidade editorial questionável.

    Cito exemplo: a matéria sobre avanço em métodos diagnósticos: pareceu serviço feito para vender espaço publicitário para empresas prestadoras de serviços de saúde (suspeita confirmada pelos anúncios).
    Sobre a matéria em si, além do tom sensacionalista, como especialista na área posso citar uma penca de erros técncios na dita matéria.
    Ou seja: ali há acertos e erros.

  • 27 Ricardo Cabral // 18/November/2007 às 19:53

    SK, então temos um problema. O que você chama de reportagem mereceria aspas, ou então o termo adequado: panfletagem. Essa continua sendo a discussão — e de que não se trata de bom jornalismo, portanto —, e é o que continua sem contestação.

  • 28 Marcus // 18/November/2007 às 20:00

    Foi só na última linha, SK, que houve ataques pessoais do Schelp ao Anderson? Não, não foi só na última linha, foi na mensagem inteira.

    Como bem disse o “Salci Fufu”, você se ateve a um comentário en passant que não tinha importância na argumentação do Anderson, e ignorou que ataques pessoais eram o centro da mensagem do Schelp.

    Você na sua mensagem confirma as acusações do Anderson, de que o que a Veja faz não é jornalismo.

    O repórter da Veja já sai a campo com a matéria escrita na cabeça; ele não vai apurar nada, ele vai apenas entrevistar pessoas que confirmem o que ele quer dizer. Se algum entrevistado diz algo que não confirma a tese dele, ele deleta, como deletou a Anderson. Limitou-se a publicar um trecho descontextualizado do livro dele.

    Isso não é jornalismo. Não é mesmo.

  • 29 wilson // 18/November/2007 às 20:09

    acho interessante a quantidade de gente, anônima, que faz comentários no post do Reginaldo. Conseguem fazê-lo parecer até uma pessoa racional e poderada. Destaque para anônimo 2: “Tal como os Beatles, que considero os pais da libertinagem, drogas etc.”

  • 30 vinicius segalla // 18/November/2007 às 20:15

    Acho que ele pegou pesado com o editor de internacional e isentou Veja, um grande erro. Mostra que ele não conhece a revista né. Anderson pensou que o Diogo fez uma má reportagem, totalmente parcial, porque é um mau repórter, e não porque é esta a marca registrada do semanário.

    Agora, o cara desnudou a fasda que é essa revista (aliás, esta é a enésima vez que alguém faz isso, mas os leitores dela insistem em não conseguir enxergar). A reportagem diz que veja entrevistou biógrafos, historiadores e testemunhas oculares para alcançar a verdade, mas eles só entrevistaram opostiroes de che e fidel. O Diogo (meu colega dos tempos de eca, aliás) entrevistou um opositor boliviano, um contratado da cia, um membro da organização pela transição em cuba, hahaha, chega até a ser engraçado. Não entrevistou ninguém que não seja assumidamente opositor do Che e da doutrina/governo que ele gerou.
    Faço uma pergunta série, esperando que alguém responda tbem com seriedade, porque realmente quero saber: por que uma revista assim é a mais lida e influente do país?

    VIncius

  • 31 Catatau // 18/November/2007 às 20:17

    dinheiro?

  • 32 pedro direitoba // 18/November/2007 às 20:24

    Um skarrado direitoba disserta seus argumentos ideológicos, mas jurava que a máxima dos fins justificam os meios era stalinista.
    Um tal de Ricardo fala de figuras intocáveis do pensamento liberal. Puxa, constrói um altarzinho para seus santos. Muita gente deve ter odiado Marx na segunda metade do século XIX, por que seria diferente hoje? Cada um com as suas crenças, seu direitoba! Prefiro as minhas, que lançam alguma esperança para a humanidade e enm esconde a miséria de séculos de capitalismo.

  • 33 SK // 18/November/2007 às 20:48

    Alguns esclarecimentos,
    O Ricardo da mensagem 25 refere-se ao comentário de Ricardo Alexandre da Silva (18) e não do Ricardo Cabral que apareceram depois.

    Eu também coloquei em posts abaixo que Diogo foi infantil e não estou condenando os ataques pessoais das cartas, só as ironias tolas e ameaças infantis e o ad hominem (de ambas partes).

    Em nenhum momento falei que foi imparcial. Foi eficaz no objetivo que era derrubar a “santidade” do Che. Torcida?
    Panfleto? Chamem do que quiser. Você encontra “reportagens” na mídia inteira.
    Releiam uma reportagem pró-Che, da Dorrit Harazim na Veja, de 1997. http://veja.abril.com.br/090797/p_088.html Ali também não foi “panfletagem”? Sim, falar que ele lia Nobel da Literatura e escrevia para a mulher pode. Falar que ele provavelmente fedia não pode?
    Escreveu carta de despedida pros seus filhos. Grande paizão. Mandou eles serem bons e justos. Que pais não fazem isso?
    Contextualizar ações: um assassinato na década de 60 é menos assassinato hoje, por conta do “contexto” da época? Por esta linha, trocou-se um ditador sanguinário Batista, por outro, Castro? O batista era um sanguinário ruim. O Castro era um sanguinário bom? Aliás, era o próprio Che o responsável pelos “julgamentos”, não?

    Até agora as grandes qualidades glorificadas de Che foram no campo pessoal. Não houve uma linha sobre o grande legado de Che.

    Por que a Veja é influente? Mensalão, Renan, Severino e por aí vai.

    pedro direitoba: vai se lavar, escova os dentes, aprenda a argumentar e volta a escrever.

  • 34 SK // 18/November/2007 às 20:51

    “Aleás”, só volto a escrever se alguém colocar a grande benemerência e originalidade (para o bem) de Che.

  • 35 Gerson B // 18/November/2007 às 21:21

    Gosto da argumentação do SK.

    A picuinha não é importante. O conteudo da reportagem é. E nada foi refutado.

    O objetivo não era uma reportagem sobre o Che, mas sobre o mito criado apos sua morte. Então não podia ser neutra, já que era oposta à propaganda dos esquerdistas.

  • 36 Verissimo // 18/November/2007 às 21:30

    Cá entre nós: que briga de comadres… E que viadagem esse negócio de neguinho se odiar e escrever/falar elegantemente, “prezado”, “cordialmente”, etc. Ah, vão à merda, saiam logo na porrada!

  • 37 Verissimo // 18/November/2007 às 21:31

    Estou me referindo à briga do Mister Anderson e do Xelpa.

  • 38 SK // 18/November/2007 às 21:39

    Veríssimo,
    Por ser off-topic…
    Não é briga, apenas discussão de argumentos. Em nenhum comentário tem um “prezado”, “querido” ou “cordialmente”. Às vezes usa-se um cabeçalho específico para saber com quem se trata, como no seu caso. Escrever bem faz parte do básico para entendimento lógico dos argumentos. Quantos mal-entendidos já houveram por não se saber expressar adequadamente?
    Agora, quando já se começa o post escrachando o nick, tem que se mandar lamber sabão. Algum respeito tem que se manter. Não vale a pena contra-argumentar. O que o sujeito acha ser “esperteza” demonstra arrogância e nivela-se a outros (o próprio Reinaldo Azevedo, por exemplo).
    E sim, no dia que você me convidar para sua casa, irei com grado.

  • 39 Mr X // 18/November/2007 às 21:40

    Concordo com o SK.

    E esse papo já cansou, o tal Jon Lee Anderson deve ser um dos sujeitos mais vaidosos do mundo, depois do próprio Che (que se julgava “o máximo escalão da espécie humana”)

    Aliás, alguém pode-me esclarecer quais são os “pontos positivos” do Che? “Lutou pelo que julgava ser um mundo melhor”? Hitler também.

    Francamente, “Morreu jovem” é o único ponto positivo que se me ocorre.

  • 40 SK // 18/November/2007 às 21:44

    Agora entendi. Desculpe-me.
    Confirmando o que escrevi mal-entendidos se geram à toa.
    Também concordo com você. Eles deviam debater em particular ou partir pro braço.

  • 41 Pax // 18/November/2007 às 21:45

    Tadinho do Diogo Schelp, pegaram-no com as calças na mão. Quer dizer, com a matéria que não é jornalismo. Quer dizer, com o jornalismo que não é verdadeiro. Quer dizer com a revista que é uma falsidade. Quer dizer, com o jornalismo que é uma droga. Quer dizer, que a revista é um carregamento de drogas. Quer dizer, que o Civita é um traficante de drogas. Quer dizer que o Diogo Schelp é um aviãozinho de merda.

    Putz.

    Mas também, juntar Diogo Schelp, Mainardi, Reinaldo Azevedo é o que além de um carregamento de drogas?

    Mas, calma lá, tem coisa pior.

  • 42 Ricardo Cabral // 18/November/2007 às 21:45

    SK, mais uma vez. Contextualizar é, sim, fundamental. Tratar de entender o mundo sem entender as mentalidades, os eventos conexos, é ter uma visão rasteira e simplória sobre os fatos históricos. Ditaduras são ruins, pensamos você e eu. Mas desconhecer suas diferenças é tão ruim quanto. Pegue Cuba poucos anos após a derrubada de Batista e compare a maior parte dos seus indicadores sociais, por exemplo. Chega a ser covardia! Por outro lado, achar que quem consegue enxergar essas diferenças gritantes, automaticamente defende a ditadura castrista, é empobrecer o debate, ora!
    - Ninguém aqui está defendendo ditaduras, muito menos assassinatos. São ruins, sempre, ainda que em alguns os agravantes para os seus executores devam ser bem maiores do que para outros.
    - A Veja pretende-se veículo jornalístico. Ao fazer um panfletinho de 5a., fala mal de si mesma, não daquele a quem quer desmistificar. Nesse sentido, falar que o Che fedia é apenas um argumento infantil, como chamar alguém de “feio, bobo, chato”, e passa longe de dar mais substância ao suposto desmonte do mito. Aliás, se a revista tivesse feito bom jornalismo, esta discussão sequer existiria.
    - O legado de Che? Cito a reportagem da Dorrit Harazim publicada na própria Veja e cujo link te agradeço:

    “Che Guevara tinha tudo para se tornar imortal: […] morreu jovem, defendendo conceitos igualmente jovens, como a solidariedade e a justiça social. Sonhou com um novo homem para o século XXI e viveu como ‘o homem mais completo do século XX’, segundo a clássica definição de Jean-Paul Sartre. Foi radical, moralista e conseqüente. […] Viveu num mundo sexualmente revolucionário, mas era casto. Tornou-se símbolo da boemia, embora praticamente não bebesse. Virou moda, em suma, e, como ensina o historiador inglês Eric Hobsbawn, ‘a moda é freqüentemente profética’. Sobretudo, na mesma linhagem de James Dean, John Lennon ou Jimi Hendrix, foi um herói cuja vida e juventude se encerraram ao mesmo tempo, abruptamente, congelando o mito. Se fosse vivo, Ernesto Che Guevara, aos 69 anos, já seria duas vezes bisavô. Nas montanhas de Chiapas ou nos acampamentos dos sem-terra brasileiros, ele está mais vivo hoje, trinta anos após sua morte, do que Fidel Castro.” (Revista Veja, 09/07/97)

  • 43 Pax // 18/November/2007 às 21:48

    E pode parar com essa de Ad Hominem. O papo aqui é Argumentum Ad Populum. Da Veja, do Reinaldo Azevedo, do Mainardi e do Diogo Schelp.

  • 44 SK // 18/November/2007 às 21:49

    Mister X, você confirmou a lei de Godwin.
    http://www.faqs.org/faqs/usenet/legends/godwin/

  • 45 Homero // 18/November/2007 às 21:52

    Uau! Será que algum dia alguém vai escrever a verdadeira história da vida de Hitler. Quer dizer, uma biografia que não seja apenas “uma pilha de hagiografias e demonizaçoes”.

    Espero que o notável Jon Lee Anderson se incumba dessa tarefa, afinal não nos basta uma visão tão parcial como a que temos hoje, né? Visão essa baseada apenas nos historiadores inimigos do nazismo e nas memórias de suas vítimas, né?

  • 46 Marcus // 18/November/2007 às 21:53

    Bem, já que o SK e o Gerson assumem que o texto da Veja é um panfleto, e não uma matéria jornalística, acho que o assunto está encerrado.

    Afinal, o que Anderson mostrou é que Schelb fez um panfleto e fingiu que era uma reportagem imparcial, com aquela história de “conversou com historiadores, biógrafos, ex-companheiros de Che”.

    E essa não é uma questão privada entre eles coisa nenhuma. É uma questão pública da maior importância. O público deve ser informado que a revista Veja faz panfletos, e não jornalismo.

  • 47 SK // 18/November/2007 às 22:00

    Pax,
    Não respondo a argumentos que reduzem interlocutor. Ou você é igual ao seu interlocutor (isto é, se você o considera com inteligência e liberdade equivalentes aos seus embora, distintos no conteúdo), ou os argumentos não valem.
    Argumentum Ad Populum é que Che Guevara foi um grande homem. A Veja mostra a outra faceta, que é “esquecida”.

    Ricardo,

    Fala sério, aquilo lá não é legado coisa alguma. Eu li a matéria antes de escrever. Por isso não enxerguei meia-pataca que prestasse como legado. Pelo menos James Dean, John Lennon e Jimi Hendrix (e inclua Janis Joplin, Jim Morrison entre outros) tiveram legado artístico.
    Ser rebelde não é legado. Ser contra injustiça social não é legado. Morrer na selva defendendo um outro tipo de regime autoritário não é legado. Ser da moda não é legado.

  • 48 Lise // 18/November/2007 às 22:00

    Homero:

    “Uau! Será que algum dia alguém vai escrever a verdadeira história da vida de Hitler. Quer dizer, uma biografia que não seja apenas “uma pilha de hagiografias e demonizaçoes”.”

    ah… Joachim Fest já fez isto-como muitos outros historiadores. Não é hagiografia nem demonização - não precisa. E eles procuram correligionários de Hitler, documentos de época, inimigos e amigos, diários.

    Basta procurar uma lista de bibliografias conceituadas de Hitler. Dica: nada parecido como o que Schelp fez.

    Óbvio, esta é a diferença de trabalho sério e propaganda.

  • 49 SK // 18/November/2007 às 22:01

    Homero, Lei de Godwin.

  • 50 Lise // 18/November/2007 às 22:03

    Correção: em vez de “bibliografias”, “biografias”

  • 51 Mr X // 18/November/2007 às 22:07

    Bem, se bastasse isso pra encerrar discussão aqui no blog, seria muito fácil….

    Continuo aguardando os pontos positivos do Che. Gostava de animais e de crianças? Introduziu sistemas coletivistas de agricultura em Cuba (que fracassaram rotundamente)?

    Dá até pra fazer uma reportagem falando do “lado humano” do Che. Mas e daí?

  • 52 Pax // 18/November/2007 às 22:09

    Prezado SK, mas quem eu reduzi? Calma lá. Reduzir pra mim é cozinhar em vinho.

    Só estou dizendo que Veja, Mainardi, Reinaldo Azevedo e o Schelp usam argumentos Ad Populum. Parece-me que tenho esse direito. Ou serei obrigado a aceitar esse jornalismo de quinta categoria?

    Che, bem, a análise do mito com olhos de guerra fria me parece antolhada. Só isso.

  • 53 Ricardo Alexandre da Silva // 18/November/2007 às 22:12

    Pedro Direitoba:

    Seu post deixa bem clara qual é nossa diferença, Pedro Direitoba. Enquanto eu procuro conhecer com objetividade, você defende suas “crenças”…Popper e Aron não te fariam mal, cara.

    Mas, pensando bem, por que trocar de religião a essa altura da vida, né? Melhor continuar com suas “crenças”, cujos resultados, vide URSS, China, Albânia, Coréia do Norte e Cuba, devem realmente ser comemorados. Fale sobre “esperança para a humanidade” aos milhares de parentes de vítimas dos gulags. Ou aos milhares de parentes das vítimas da “revolução cultural” chinesa. ah, mas me esqueci. Esses eram todos burgueses e mereciam mesmo morrer, não é?

    Sua cegueira envergonha o pensamento marxista.

    Cordialmente,

    Ricardo Alexandre da Silva.

  • 54 SK // 18/November/2007 às 22:13

    Lise,
    OK, já que você mordeu a isca do Homero e caiu na discussão sobre Hitler vou resgatar você pro tema central: o livro do Anderson não era o centro da reportagem. Se fosse, o título seria outro. Ele conversou com correliginários ex-amigos e inimigos de Guevara.
    Seria interessante saber que Guevara salvou uma pessoa de uma execução certa? Sim. Talvez até centenas de execuções poupadas.
    Reduz as outras execuções? Opositores podem ser mortos?
    Então pombas, o que esse homem fez de bom para o mundo?
    Sobre ser um panfleto, nesse raciocínio, as reportagens favoráveis, como a da própria Dorrit também é panfleto. Pois não li uma linha que o desfavorecesse no texto.
    O que você tem que entender é a máxima do Millôr: “Jornalismo é oposição. O resto é secos e molhados.”

  • 55 SK // 18/November/2007 às 22:27

    Pax,
    Então você vai ter que tirar a cabeça da cozinha e vir pra sala de estar. Entre as acepções de reduzir, segundo o Houaiss, está tornar menor (no sentido literal) ou sujeitar (tornar menor no sentido figurado).
    Sobre os argumentos, você vai ter que ser específico.

    A turma da Veja são os ad populum “snob appeal” e que Guevara seria “porco fedorento” .

    O dito “senso comum” defende que Guevara era semideus. Ad populum “bandwagon” - grosseiramente traduzido “maria vai com as outras”.

    http://philosophy.lander.edu/logic/popular.html

    Até agora, o que foi contestado da reportagem ou qual a grande benemerência de Che Guevara?

  • 56 pedro direitoba // 18/November/2007 às 22:30

    “Probrema” seu Ricardo é que li seus santos, alguns muito bons e instigantes, como Weber ou Popper. Mas vc. não leu os meus. Aliás, Popper e Aron foram dois grandes ignorantes da obra de Marx, como todo mundo sabe. Conheciam Marx de orelha de livro e tinham a impressão do marxismo da década de 30. Hoje, falaríamos marxismos, para seu desgosto e ignorância maior ainda. As experiências socialistas não forma um sucesso, mais nem por isso, adoraria a barbárie e a condenação à miséria no momento em que se nasce por grande parte da humanidade, especialmente na periferia do capitalismo, nos que oferecem insumos a baixos preços. Qual a maior cegueira? A de quem adora a barbárie e é um eunuco de sua sensibilidade humana? Sim, Che não foi um eunuco como vc. Para entendê-lo é preciso contextualizar as esperanças de uma época e o objetivo de sua luta.
    Quanto à biografia, vejo que a ignorância aqui é maior do que supunha. O compromisso de todo historiador que se preze é com a veracidade de suas fontes e não com a anulação da subjetividade, coisa impossível em qualquer trabalho de História. Isso é diferente, seu skarrado, de distorcer os fatos em favor de sua hipótese, como se os fins justificassem os meios. Quer saber, tá de bom tamanho! Se vcs. gostam de lixo que se empanturrem e façam uma assinatura eterna da Veja. Bom proveito, seus direitobas!

  • 57 SK // 18/November/2007 às 22:32

    Eu não contextualizo.
    Eu apenas afirmo: olha, foi assim àquela época, as coisas eram assim. Paciência. É errado aos olhos de hoje. Não há que preservar como mito.
    Este é o aprendizado.
    Isso serve bem para opressões em geral (ditaduras de direita, ditaduras de esquerda, intolerância, costumes demais).

  • 58 Homero // 18/November/2007 às 22:35

    Lise,

    obviamente não se pode compara a edição de uma revista semanal com a de um livro, né? Apesar disso, o que Joachin Fest fez foi revisionismo pura e simples.

    O famoso crítico literário alemão Marcel Reich-Ranicki denucia vigorosamente o revisionismo de Fest e principalmente de Ernst Nolte, um até então respeitado historiador alemão.

    Ele tentou relativizar a existência do holocausto e a negar a visão de Hitler da inevitabilidade da solução final.

    SK,

    recorrer à lei de Godwin é inevitável para quem põe Che no mesmo patamar de Hitler, Stalin, Lenin, Mao, Pol Pot, Gengis Kahn e Castro. Para mim todos esses são o mais próximo que o ser humano chegou do Mal Absoluto.

  • 59 Ricardo Cabral // 18/November/2007 às 22:37

    SK (coment. 54), não distorça as coisas. Ninguém falou que o livro do Anderson era centro de coisa alguma. Como bem levantou o Marcus (coment. 46), Anderson acusa Schelp não de fazer mau jornalismo, mas de que o que o que ele fez no artigo da Veja “NÃO é jornalismo”. É isto o que está em pauta, não se o Che era bonzinho, herói e ao mesmo tempo fedia feito um porco.
    Em uma boa matéria, você pode concluir, favorável ou desfavoravelmente sobre o assunto em questão, a partir de uma pesquisa ampla, minuciosa, que ouça todas as partes. Isso é bom jornalismo. Você, SK, que tanto quer discutir o Che, por exemplo, acusa o Anderson de não apontar as falhas do texto. Definitivamente você e eu lemos de forma totalmente diferente a carta do Anderson. Outra coisa: para fazer jornalismo e ser crítico ao que quer que seja deve-se torcer os fatos para eles se adequarem às suas crenças pessoais? Isso é ser político, isso é ser fanático religioso, isso é ser torcedor de seja lá o que for, mas não é fazer jornalismo. Que alguns pensem que é, só lamento.

  • 60 Pax // 18/November/2007 às 22:43

    Caro SK, desculpe-me, mas agora parto para minha interpretação: Você está antolhado.

    Não gostas do Che? Direito seu. Outros gostam? Direito deles.

    Che representa a ideologia de uma parte da sociedade de outrora, de uma época que já passou. Mas o mito ficou. A outra parte da sociedade era aquela que aplaudia o Ame-0 ou Deixe-0 do Médici e comia a turma de porrada e choque elétrico nos porões da ditadura militar. Mas a turma do outro lado matava também? Sim, claro, era uma guerra. A fria. Já passou caro. Ad populum são esses pouco profundos que não conseguem atualizar o tempo mas que tem público. Há uma enorme turma que adora esses chavões (parêntesis, Itamar Assumpção dizia que chavão é chave grande e nem preciso ler meu Houaiss aqui). Mudou. Agora o papo dos azuis é matar os muçulmanos pra pegar petróleo. Mas a turma continua lá, na tecla Dó do piano: Comunista come criancinhas.

  • 61 Ricardo Alexandre da Silva // 18/November/2007 às 22:44

    Pedro Direitoba:

    Ah, tá. Até agora eu pensei que Aron e Popper tivessem conhecimento sobre o marxismo. Ainda bem que você me esclareceu sobre a ignorância deles. Como sinal de gratidão, vou te esclarecer um pouco sobre a sua.

    1º) Você não sabe escrever. Vai ver por isso se esconde atrás de gírias como “skarrado”. Nesse quesito você é tão fraco que confunde “mas” com “mais”…Uma lástima! Que tal consultar a gramática além de ler seus panfletinhos comunistas?

    2º) Você reputa aos demais comentaristas falhas intelectuais que são suas. Não santifico Weber e Popper, algo que você faz em relação a Marx.

    3º) Felizmente você não me conhece - nada me daria menos prazer que travar contato com um cara tão mal-educado. Desse modo, como você pode fazer ilações sobre minhas leituras? Já li Marx. E conheço suficientemente o pensamento de teóricos como Habermas e Claus Offe para dizer que suas imprecações grosseiras envergonham o marxismo.

    4º) Houve tempo, não muito remoto, no qual havia diálogo entre as correntes de pensamento no Brasil. C. Nelson Coutinho e J. G. Merquior, por exemplo, debatiam e respeitavam-se, muito embra o primeiro fosse marxista e, o segundo, liberal. Não te parece que essa postura era mais adequada que chamar as vozes discordantes de “skarrado”?

    Cordialmente,

    Ricardo Alexandre da Silva.

  • 62 Monsores // 18/November/2007 às 22:44

    Ricardo Cabral,

    Seja um bom menino e fale sobre o Granier-Deferre, por favor. Quero saber mais sobre ele. Anda, vai. Seja legal :)

  • 63 Clara // 18/November/2007 às 22:47

    Prefiro ler a tréplica do Anderson no original. Onde está o link?

  • 64 SK // 18/November/2007 às 22:49

    Pedro Direitoba,
    Mas você é o direitoba ou nós somos os direitobas? Esta sua posição está meio esquizofrênica.

    Voltando à discussão: “As experiências marxistas não foram um sucesso”. Que posso afirmar?
    Se o capitalismo é tão ruim, por que os ex-países comunistas viraram…. capitalistas?
    Ou algo pior, que explora o pior dos dois, como…. a China?
    Aquilo que você sonha, do bem-estar coletivo e estado forte estão situados na Europa, como os países escandinavos, que são os mais próximos do que Marx vagamente sonhva e planejava, mas vejam só, eles ainda são… capitalistas?

    Pera lá, os fatos não foram distorcidos. Não seja impreciso. Só foi ouvido um lado. Foram ouvidos ex-camaradas do homem. Ou seja, um dia viveram com ele. Não se ouviu o “outro lado”, realmente. Talvez Fidel não estaria inacessível. Os argumentos de Chávez não caberiam numa única edição. Peraí. mas Chávez não conheceu Che Guevara… O outro lado é o mito que até hoje reside.
    Então quem adora a barbárie e não é um eunuco é um santo. Matar opositor pode? No contexto da sua época? Assim os fins justificam os meios?
    E hoje, matar opositor pode?
    Os fins não justificam os meios. Os que morreram assassinados (de ambos lados) também concordam. Os meios levam aos fins. Parece que os meios que Guevara escolheu levaram-no ao seu.

    Eu fico com a assinatura eterna de Veja.
    E lhe dou uma passagem de ida para Cuba em troca. Boa vida, esquerdoba!

  • 65 Monsores // 18/November/2007 às 22:49

    Clara,

    http://www.danielslopes.com/
    Aqui tem.

  • 66 bafo // 18/November/2007 às 22:51

    “Mas também, juntar Diogo Schelp, Mainardi, Reinaldo Azevedo é o que além de um carregamento de drogas?” (Pax)

    só tenho a concordar, embora com o Olavao ficaria mais completo ainda.

  • 67 SK // 18/November/2007 às 22:52

    Correção
    “Então quem adora a barbárie e não é um eunuco é um santo?”

  • 68 Pax // 18/November/2007 às 22:54

    Ô bafo, fique à vontade meu caro.

    Então vamos lá, em co-autoria:

    “Mas também, juntar Diogo Schelp, Mainardi, Reinaldo Azevedo e Olavão é o que além de um carregamento de drogas?” (Pax e bafo - num momento histórico da blogsfera nacional)

  • 69 Mr X // 18/November/2007 às 22:56

    SK,
    Hitler aqui (e alhures) é sempre citado em posts sobre:
    a) Israel (”campos de concentração” contra os palestinos e toda essa lenga-lenga forçada)
    b) comunismo (Hitler = Stalin = Mao. Comparação desigual, já que Stalin matou mais, embora em um arco maior de tempo)

    Minha comparação nem era com Hitler, que entrou no meu comentário de gandaia (dá pra tirar aquela frase ou trocar por Pol Pot que não se perde o sentido) Che realmente não está no mesmo nível, o Che era apenas um soldado e no fundo nem teve tanta importância. Como eu já disse antes, o maior trabalho do Che ele fez depois de morto, como propagandista do ideal revolucionário. O grande herói não é Che, é o Alberto Korda que fez a famosa foto. Aliás, teria sido melhor se o Che tivesse apenas sido capturado e preso, forçado assim a assistir a inevitável decadência do ideal cubano.

  • 70 bafo // 18/November/2007 às 23:02

    ora Pax, o crédito é somente seu, que apenas esqueceu do “capo” Olavao :-)

    o que me espanta é que há meses se discute aqui sobre esses “colunistas” da Veja e isso nao leva a nada (os diretoes continuam diretoes, e os demais continuam nao-diretoes). Por isso nem entro nos debates quando envolve essa publicacao (dá sempre uma sensacao de Deja-Vu). Mas boa sorte para vocês :-)

  • 71 bafo // 18/November/2007 às 23:03

    ops, “direitoes” :-)

  • 72 Monsores // 18/November/2007 às 23:05

    bafo, concordo integralmente.

    E Pax, pra mim você tá certo. Essa corja é um carregamento de drogas.

    Por falar nisso, como vai? Tudo bem por aí?

    Eu sou relapso. Estou pra escrever pra você e pra Fátima faz tempo.

    Um abração,
    André

  • 73 Paulo // 18/November/2007 às 23:10

    Se Anderson conhecesse melhor a Veja, pouparia seu precioso tempo. Saberia que Veja não serve pra nada, nem pra embalar peixe no dia seguinte, mas infelizmente se empilha na portaria do meu prédio todas as semanas. Veja só pra limpar a cozinha ;)

  • 74 Clara // 18/November/2007 às 23:12

    Muito obrigada, Monsores. Fofocada de jornalistas, hein? Mó barraco.

    Há evidentemente uma questão ideológica por trás dos dois jornalistas já que Anderson dá a sua motivação de escrever uma biografia de Che. E cá está ela:

    “As I have always said, I wrote my biography as an antidote to the countless propaganda exercises in which the real Che had been buried under a morass of either hagiographical writing, or demonizations, e.g. your article.”

    Agora, o Anderson foi extremamente irônico, sacana ao extremo e aprobeitou amplamente a vantagem do domínio total do inglês que ele tem. preciso ler a reportagem do jornalista brasileiro, mas ele nunca vai poder duelar suas argumentações numa língua que não é a sua.

    E outra coisa: o Anderson é político e esperto como o quê, falando bem da Veja, dos “brilhantes” jornalistas brasileiros. Mas não cita um nome. Quem são os brilhantes jornalistas que o Jon Lee Anderson conhece, afinal?

  • 75 Comentarista // 18/November/2007 às 23:12

    Um dos comentaristas disse que era preciso ver como era Cuba antes da Revolução Cubana e como ela ficou depois.

    Dados do Atlas Econômico de 1953 dão duas respostas interessantes:

    1. 85% dos cubanos eram alfabetizados.

    2. Cuba era o quarto país mais rico da América.

  • 76 pedro direitoba // 18/November/2007 às 23:14

    Ricardinho cordialmente, agradeço sua correção gramatical. Tenho uma escrita impulsiva e pouco me atenho às correções. Não preciso provar nada a ninguém, pois já passei nas provas que a vida me impôs. Lamento que minha escrita não lhe agrade, não faço literatura por aqui. De qualquer forma, continuo a achar que vc. nunca abriu um livro de Marx na vida ou que nada entendeu. Pois é evidente que os fundamentos marxistas das críticas de Aron e Popper são superficiais e dogmáticas. Poderia dar um exemplo mais claro disso para seu deleite. Talvez se me sentir estimulado para isso, catarei a Miséria do Historicismo em seu louvor e discorrerei. Mas, no momento, pela superficialidade desse debate, deixo-o descansando na prateleira junto com outras direitobices da Sociedade Aberta. Não santifico nada, pois toda obra é aberta e perecível. Sim, um bom debate vale à pena e o Merquior pelo menos dominava o pensamento liberal. Aliás, um dos melhores manuais de introdução ao pensamento liberal que li foi escrito por esse ideólogo da ditadura militar.
    Cordialmente., como de praxe.
    OBS: Encontrando algum outro erro, fique à vontade!

    Skarrado, estávamos falando do que mesmo? Não era sobre distorção de uma matéria que deveria ser informativa?

  • 77 pedro direitoba // 18/November/2007 às 23:15

    Dados do Atlas Econômico de 1953 dão duas respostas interessantes:

    KKKKKKKKKKKKKKKKK

  • 78 Comentarista // 18/November/2007 às 23:15

    Perdão, cometi um engano no item 1 do comentário anterior. Cuba não era o quarto país mais rico do continente. Era o terceiro.

  • 79 Monsores // 18/November/2007 às 23:18

    Clara, pra mim não passa de um jogo de espelhos.

    Inclino-me pro lado do Anderson porque detesto a Veja e principalmente o Diogo.

    Como disse o Pedro Doria um dia, jornalista é um povinho egocêntrico pra cacete.

  • 80 SK // 18/November/2007 às 23:18

    Pax e Ricardo Cabral,
    Eu gosto assim, argumentos postos, diretos, bom fraseado e vocabulário (enriquece o meu este antolhado, embora tive que suar um pouco).

    Concordo, é “panfleto”. Não é isento por não ter ouvido o “outro lado”. Mas fico me imaginando o que poderia ter acontecido para aliviar a barra do Che? As coisas boas já foram ditas aos montes sobre ele, não na Veja, em mídias até mais personais. Mas não aliviam as coisas ruins.
    Gandhi teve um legado monumental, resumível em uma frase: “Eu vou mudar o mundo, mas não vou encostar num fio de cabelo seu para isso.” Se verificar sua biografia, vai perceber que ele era um tirano em casa, seu filho morreu alcoolista e outras coisas ruins. E aí? Que pesa mais? Todo homem tem sua faceta. Aceito Gandhi com seus pecados pessoais e seu legado ideológico. Repudio Che pelo seu legado ideológico, apesar das virtudes pessoais.

    Se você quer que eu analise o cerne da carta de Anderson: ele o acusa da não ter feito jornalismo por não ter ouvido o outro lado. Eu repito: talvez não houvesse outro lado capaz de melhorar a imagem dele pelo sangue em suas mãos.

    Eu não gosto do Che. Tem gente que gosta? Sim. Mas a questão é que essa gente que gosta, trata-o como Deus e faz vista grossa para suas atrocidades. E isto é posto em questão no centro da reportagem. É para acabar mesmo com o mito.
    Eu acho que eles tem o direito de idolatrá-lo, mas não devem ignorar este fato.
    Como analogia, mito semelhante ocorria muito nas décadas de 60 e 70 quando achavam a Revolução Cultural de Mao o máximo.

    Embora a guerra fria tenha acabado, esses mitos são ressurgidos (vide Chávez com Bolívar) e nos esquecemos do cerne. Che, por sorte, ainda está fresco na memória de muitas pessoas, o que permite desfazer este mito.

    Acho que eu vou insistir na tecla do Dó. O maior exemplo que ainda não passou é o Chávez. Não é exatamente o comunismo que ele quer, mas na prática funciona quase como (tem os mesmos componentes, slogans mais ou menos parecidos, mas o núcelo autoritário é semelhante).
    E no fim acabamos nos esquecendo o que foi realmente Che.

  • 81 proftel // 18/November/2007 às 23:20

    Perdi essa.
    Acabei de deixar meu pai e mana no hotel.
    No fundo a reportagem é uma bosta, isso me parece.
    O Schelp se laskou nessa, ponto prô gringo.
    Se der muito bafafá prá cima da Veja ainda botam a culpa no repórter e mandam o kara embora.
    A culpa foi dele em mandar e-mail prô gringo, se tivesse ficado só com as fontes “confiaveis” de acordo com a linha da matéria não haveria problemas.
    Foi procurar justo um jornalista que pode até não ser simpatizante do Che mas tem afinidade, entrou pelo cano.
    E sabe o que me lembra isso?
    Aqueles “campeonatos” de mulher em ring de lama, tá todo mundo de olho prá ver se uma tira peça de roupa da outra, que se dane a lama que elas estão.
    E vamo lá, té manhã.

    hehe

  • 82 SK // 18/November/2007 às 23:21

    Mr X,
    Israel, campos de concentração e comunismo soviético junto com Hitler não é Godwin. Pois estão diretamente relacionados.
    Godwin ocorre quando discutimos sobre as mudanças climáticas e chegamos ao Hitler.

  • 83 Comentarista // 18/November/2007 às 23:32

    Por favor, vamos fazer uma vaquinha pro tal do Direitoba comprar um teclado novo. Acho que só a letra K está funcionando. Vai que ele estava prestes a escrever a primeira coisa inteligente da sua vida!

  • 84 Ricardo Alexandre da Silva // 18/November/2007 às 23:44

    Pedro Direitoba:

    Como você me deixou à vontade, apontarei apenas um erro de concordância. Você escreveu: “Pois é evidente que os fundamentos marxistas das críticas de Aron e Popper são superficiais e dogmáticas”. Na realidade, superficiais e dogmáticos, seriam os fundamentos, não as críticas. Não se preocupe que a lição é gratuita.

    De qualquer forma, devo admitir que você melhorou muito desde o primeiro post, em que alguns períodos são francamente incompreensíveis.

    Se quiser, deixarei meu e-mail para que você me indique a superficialidade de Aron e Popper quando se sentir estimulado.

    Tenham todos uma boa noite - mesmo o Direitoba.

    Muito cordialmente,

    Ricardo Alexandre da Silva.

  • 85 SK // 18/November/2007 às 23:44

    um PS - Deixa eu me aprsentar, já lia o PD desde No. Já postei algumas vezes faz tempo, mas é o primeiro post em que me mostro mais expressivo (deve ser o feriadão) e para me situarem realmente, minhas impressões, sobre:

    - a Veja: às vezes vai bem quando pega no pé dos políticos (gostaria que se ampliasse a pegação no pé dos demais políticos). Às vezes nem calço pra mesa serve. Esta do Che é panfleto, concordo, não tiro a razão de ninguém que assim diz, mas também afirmo que não é fácil esquecer estes argumentos e tava na hora do Che levar um pé lá mesmo.

    - Diogo Schelp: não conheço. Só sei que caiu na armadilha do Anderson ao entrar na lama das cartas públicas. Já vi que tem tendência panfletária.

    - Diogo Mainardi: garotinho mimado gosta de ser do contra. Sabe aquele da sua turma que você fala “sol” e ele fala “chuva”? É ele mesmo. De vez em quando tem boas sacadas (a do Janene foi ótima).

    - Reinaldo Azevedo: gosto da sua maneira de desenvolver uma lógica e de construir um raciocínio. Muitas vezes não concordo com o que ele defende e discordo da redução ad hominem freqüentemente utilizada. Quanto às opções religiosas então…. Mais um pouquinho de paranóia e chega se a Olavo de Carvalho.

    - Olavo de Carvalho: paranóico e lunático. Escreve bem, desgraçadamente e mantém uma coerência (ainda que lunática). Ainda não desagregou, mas é questão de tempo. Ou então vai ser instaurada mesmo uma ditadura comunista no Brasil.

    - Época: revista da Globo. Sempre com um pé atrás.

    - Carta Capital: sem comentários.

    - Istoé: sempre tenho a impressão que se eu tivesse uma graninha pra gastar conseguiria sair na capa…

    - Bush: homem errado na presidência. Ele realmente é uma pessoa limitada e têm tomado decisões na maior parte das vezes errada. Capitalizou inicialmente bem o 11/09, porém no momento que enfiou o Iraque no meio, perdeu o crédito.

    - Guerra do Iraque: situação areia movediça: não deveria ter pisado, agora que tá atolado até o pescoço não pode se afobar.

    - Israel: existe ponto. Não há que se discutir o direito de sua existência. Acho que deveria tratar melhor os palestinos.

    - Palestinos: também não ajudam muito Israel no processo de paz. Acho que essa é a base da irmandade.

    - Comunismo: ainda bem que existiu e bem longe daqui pra demonstrar que não presta pra muita coisa.

    - Capitalismo: deveria ser menos selvagem. Apenas números, metas. Deveria ser mais light, mas por meios próprios (vide Europa nórdica, eu sei tem seus diversos problemas, nada é perfeito, mas isso é o mais próximo da perfeição).

    - Lula: falastrão ao achar que ele é o responsável por tudo. Não consegue enxergar que seu maior feito (e deve se parabenizá-lo por isso) foi manter o projeto de país desenhado previamente. Até agora todas suas idéias originais (e não recicladas) deram com burros n’água. Pede pra sair em 2010. Se quiser volta em 2014.

    - Drogas: contra e acho que quem consome ajuda o tráfico (bem antes do Tropa de Elite). Nunca usei.

    - Aborto: Ninguém deve ser obrigado e ninguém deve ser proibido.

    Acho que essas são as linhas gerais do pensamento, apenas para me inserir.
    Faixa etária 30-35 anos.

  • 86 Deise Guelfi // 19/November/2007 às 0:04

    Bem, a questão não é o Che, e sim os moçoilos e a forma como foram colocadas as informações por um e por outro. Acho uma deselegância levar essa briga de foice no escuro ao público. Pelo menos desta forma. Até entendo que o dito cujo Anderson se sinta atraiçoado. É duro ver suas palavras distorcidas. Agora, brincar de “eu sou melhor que você, seu imbecil”, é ruim de engolir. Que coisa mais chata.

  • 87 pedro direitoba // 19/November/2007 às 0:14

    Acho mesmo que vou precisar de um teclado novo pois o meu K anda muito utilizado.
    Ricardo, de novo sua correção está certa. Muito obrigado, já que de conteúdo vc. nada acrescenta. No final dará um bom corretor e às vezes pago para isso.
    Comentarista serve os seguintes dados:
    Cuba de Batista era um país agrário-exportador, com 40% de sua população ativa no campo e com uma concentração brutal da propriedade da terra. 47,5% das terras de cultivo de açúcar pertenciam a cias. norte-americanas. Dados Cepal.
    Em 1957, uma pesquisa da Agrupación Católica Universitaria de La Habana, com 2.500 famílias camponesas revelou que 14% sofriam de tuberculose, 135 de tifo, 355 de parasitas. Não havia hospitais no meio rural mais afastado dos centros urbanos, 895 não tovam leite ou comiam carne, 60% vivia em choupanas de terra batida, 44% não haviam ido à escola e 43% eram analfabetos. Mas devia ser uma maravilha para os donos de puteiros, fazendas norte-americanas e a camarilha do Batista. Vc. sente saudades?

  • 88 pedro direitoba // 19/November/2007 às 0:18

    Riquíssimo país rural do Batista. A agropecuária tinha 22% do PIB e a manufatura era 23% (mas grande parte o açúcar, bebidas, calçados e fumo.

  • 89 pedro direitoba // 19/November/2007 às 0:21

    135=13%, 355=35%

  • 90 pedro direitoba // 19/November/2007 às 0:23

    Vamos, me faça rir de novo!
    Uma boa noite aos bons e utópicos. Cascudos nos direitobas e amanhã tem mais, se tiver tempo.

  • 91 Gilmar Alencar // 19/November/2007 às 0:34

    onde está o originaaaaal? em que siiiiite?!?!?!

  • 92 pedro direitoba // 19/November/2007 às 0:36

    Uma recomendação de um importante historiador de Cuba é de que são escassos os dados sobre as condições de vida antes de 1959 e pouco confiáveis. Supõem-se que a mortalidade infantil era alta como nos países vizinhos do Caribe. Não havia nada de especial em Cuba. Resumindo: KKKKKKKKKKKKKKKKK

  • 93 cristina // 19/November/2007 às 0:42

    caramba, que vergonha!

    a reportagem teve grande repercussão cá, nalguns blogs de direita e na revista Atlantico (do mesmo pessoal)

    depois mostro no CC as 3 cartas, impagáveis..:)

  • 94 Mr X // 19/November/2007 às 1:42

    Anderson é um mala presuntuoso, e sua tréplica quilométrica não é nem engraçada.

    Schelp tampouco ajudou: não devia ter respondido à provocação. Dançou.

    Reinaldo Azevedo pode ter seus defeitos, mas, ao contrário de 90% dos jornalistas por aí, tem personalidade. Basta e sobra.

    Voltando à tal lei de Godwin…Sabe o Six Degrees of Separation? E o Six Degrees of Kebin Bacon? Podia ter um jogo, Six Degrees of Adolph Hitler. Acho que em cinco comentários dá pra chegar fácil fácil de modificações climáticas a Hitler. E esse Al Gore nunca me enganou… ;-)

  • 95 Quixote // 19/November/2007 às 2:21

    Absolutamente objetivo, mas com pedacinhos de subjetividade maligna que deixariam qualquer “Schelp” querendo rasgar seu texto, ou deletar, vai saber, da face do planeta.

  • 96 Antonio // 19/November/2007 às 4:08

    SK e Mr X:

    1. O cerne da carta de Anderson está na acusação de que Veja teria sido desonesta com seus leitores: “Dizer a seus leitores, como você [Schelp] diz na abertura da reportagem, que ‘Veja conversou com historiadores, biógrafos, ex-companheiros de Che no governo cubano’ passa a impressão de que você de fato fez o dever de casa, que estava oferecendo aos leitores um trabalho jornalístico bem apurado, que apresentaria algo novo.” Anderson quiz dizer o seguinte: se Veja quer publicar um panfleto contra Che, tem o direito de fazê-lo – desde que deixe isso bem claro. O que não dá é publicar um panfleto dando a impressão de que se trata de jornalismo.

    2. E isso é o que Veja vem fazendo sistematicamente. Escrevi isto num outro post aqui, mas vou repetir. A Veja de 24/10 foi sobre o aquecimento global: de um lado, a maioria dos cientistas, catastróficos em suas previsões; de outro, alguns poucos céticos. Ou seja, Veja mostrou que não há consenso na comunidade científica quanto ao aquecimento global. Mas, no fim, Veja resume os argumentos de ambos, afirmando “quem está certo”, ponto por ponto. Placar: Céticos 4 x 2 Catastróficos. Mas se não há consenso – se a ciência não deu a última palavra –, como é que Veja, que não é uma publicação científica, pode afirmar quem está certo? (Até agora espero uma resposta.)

    3. O que nos leva de volta ao Che. Não é que Veja faça apenas “mau jornalismo”: ela simplesmente não faz jornalismo. Ponto. É para isto que o Anderson está chamando a atenção. Portanto, não tem cabimento argumentar coisas como “ah, mas até agora não apareceu ninguém para desmentir o que Veja escreveu sobre o Che”. Ninguém está acusando Veja de fazer ficção. Repito: está-se acusando Veja de levar o seu leitor a acreditar que o que ela faz é jornalismo, quando é evidente que ela está fazendo propaganda.

    4. A discussão sobre o legado de Che, na verdade, não é sobre o legado do Che: é sobre o legado do ideário socialista. Desconstruir Che é desconstruir o socialismo e a visão de mundo a ele associado. A pergunta que se coloca, e que portanto deve ser respondida, é: porque manter vivo o legado do pensamento e ideal socialistas? Eu respondo: porque qualquer ser razoavelmente racional sabe que, hoje, o socialismo não é uma alternativa ao capitalismo, mas sim uma herança no interior do capitalismo. Quer um capitalismo menos selvagem? Alguns pensadores “de direita” podem te ajudar, é claro – mas alguns pensadores “de esquerda”, herdeiros do marxismo e do socialismo, também. E é por isso (entre outras coisas, mas seria verborragia demais de minha parte explicar) que pensadores como Foucault e Gramsci não “cachorros mortos”.

    Abraço a todos,

    ACT

  • 97 Ricardo Cabral // 19/November/2007 às 7:40

    Antonio (coment. 96), com o item 4 vc trouxe sangue novo ao debate. Subscrevo!

    Monsores (coment. 62), não falei nada sobre o Granier-Deferre simplesmente… porque até vc chamar a atenção sobre sua morte, nada sei sobre ele! Quem terá que me ensinar alguma coisa será você, meu caro… (Já vi na wiki a sua filmografia. Respeitável e que desperta a curiosidade, diga-se de passagem!)
    Abraços

  • 98 Ricardo Cabral // 19/November/2007 às 8:01

    SK (coment. 80), duas palavras que não vi aparecendo sobre jornalismo nesta caixa de comentários: responsabilidade e credibilidade. A Veja há muito não faz jus à segunda, e ao escrever panfletos em vez de reportagens abre mão do importante papel que uma semanário com tanta circulação deve ter frente à população.

  • 99 HRP Mané Reloaded // 19/November/2007 às 8:20

    DESENCANDO O PSEUDO RIDICULO METIDO A JORNALISTA REINALDO AZEVEDO!
    AHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHAHHAHAHAHAHAHH!
    FU….YORSELF….REINALDINHO!
    MR.X ,ESSAS SUAS VELHAS E POUCO PROVÁVEIS LISTAS DE INDICES SOBRE CUBA, ANTES DE 59, SÃO RIDICULOS E SEM QUALQUER FONTES FIDEDIGNAS…SUA CEGUEIRA AS VEZES BEIRA A HISTRIONICE!
    sURF….BATEU BEM E FALOU E DISSE! eeeeeeee!!!!!!

  • 100 HRP Mané Reloaded // 19/November/2007 às 8:26

    85% DE ALFABETIZADOS?
    FALA SÉRIO O MR.X ESCONDENDO-SE ATRAZ DE OUTRO NICK…..53?
    NEM HAVIA LEVANTAMENTOS E OU INSTITUTOS DE PESQUIZA EM CUBA …EM PLENA DITADURA…OS CORTADORES DE CANA E OS PLAMTADORES DE FUMO MORTOS DE FOME, GRANDES PROSTIBULOS E CASSINOS DA MÁFIA ITALO/AMERICANA E TUDO….TUDO!!!! QUE FOSSE PLANTATIONS E FAZENDAS DE FRUTAS NA MÃO DOS AMERICANS!

  • 101 HRP Mané Reloaded // 19/November/2007 às 8:32

    Sobre a Veja….só um comentário……não dá pra não deixar de ler!

  • 102 HRP Mané Reloaded // 19/November/2007 às 8:40

    Reinaldo Azevedo não mereçe mais do que escárnio….mas a Veja, assinei por muitos anos, na década de 70/80….mas quando se avizinhou os anos Sarneys a revista tornou-se mais e mais de direita…não esse direitismo de hoje ,quase fascista, quase apoiando tortura e arbitrio como nas reportagens sobre o tráfico no Rio….mas uma direita civilizada…..os anos 90 mostraram-na já depauperada nos seus quadros , de bons , jornalista….fixamd0-se no seu quadro de funcionários “uma plêiade” de mediocres vaquinhas de presépio e sujeitos dispostos a tudo por uma chance e em aparecer!
    Deu no que deu( esqueci….entre os Civitta também houve mudanças e troca da guarda!)…mau jornalismo, tencioso, e uma tremenda perda de contato com as novas realidades com que lidamos ,hoje, no dia a dia da nação….como já escreveram aí pra cima…triste fim de algo que já foi muito bonito…….EEEEEEE

  • 103 Salci Fufu // 19/November/2007 às 9:01

    Claro que o assunto não é o Che, tchê! O assunto é o Tchelp.

    O Dioguinho foi quem citou o Anderson, e foi quem pediu pitaco, não foi? Ou alguém acha que Anderson assina Veja? Ou que lê Veja na net todas as semanas?

    Anderson só fez o que Schelp pediu: deu pitaco na reportagem sobre Che, que aliás citava um livro seu, como se compusesse o material de pesquisa.

    É bem verdade que algum nacional deve ter avisado Anderson que a reportagem estava muito boa e que merecia uma leitura profunda e detalhada.

    O debate não é mais sobre Che. É sobre se Anderson poderia, ou deveria, ter respondido a Schelp. Se poderia, ou deveria, e se usou os meios corretos.

    Nem o que Anderson escreveu e nem as palavrinhas que Schelp balbuciou, nem mesmo as ameaças que fez, nada disso tem a ver com Che. Só tem a ver com o comportamento dos jornalistas, da Veja e da New Yorker.

    Na análise do que ocorreu daí para a frente acho que todo mundo concorda: Schelp se cagou todo e pediu para Gaynaldo limpar-lhe o bumbum, o furico.

    Gaynaldo gosta mesmo disso, é o que faz com mais gosto. Mas sua coprofagia o leva a se tornar agressivo e, vez por outra, a jogar sua adoração no ventilador.

    Gaynaldo e os irmãos Diogos são fetichistas, adoram que os pés de seus patrões lhes pisem.

    E adoram os pés dos demais nas suas bundas. É o que lhes damos.

  • 104 Salci Fufu // 19/November/2007 às 9:22

    Não sou de ler o bloguinho do Gaynaldo, mas hoje estive dando uma olhadinha. Será que fugiu do pau?

    O menino moço fala de tudo, de aborto a DEMO (que são a mesma coisa), mas não achei nada sobre o assunto do Schelp (Veja) versus Anderson (New Yorker).

    Coitados, dessa vez se borraram todos.

    Será que o outro Dioguinho não vai nem tocar no assunto também?

  • 105 Mário // 19/November/2007 às 9:26

    A única ressalva que faria ao texto do Anderson é que ele chamou a VEJA de revista “louvável”.

  • 106 josef mario // 19/November/2007 às 9:50

    Companheiros de esquerda, moístas e bolivarianos
    Eu, josef mario, devo dizer que este assunto, de tão requentado, já encheu os meus bagos.
    Muito obrigado.

  • 107 Rachel // 19/November/2007 às 9:55

    Diogo Mainardi metendo o dedo nessa história será imperdível. Pra coroar uma discussãozinha tola como essa (e a direção medíocre que tomou), falta mesmo uma farofada dele.

  • 108 HRP Mané Reloaded // 19/November/2007 às 10:04

    A discussão tornou-se ideologica?
    Bem….pode-se analizar as perfomances deles sem tocar o viés facista de todas as suas reportagens e comentários?…Ponto!
    A Veja é um veículo de comunicação de DIREITA!
    O que há nisso a ser criticado?
    Nada…desde que o jornalismo por ela, Veja, praticado , seja honesto….o que não é o caso….e digo de novo…nem Schelp nem Mainardi e muito menos Reinaldo são algo a ser comentado….pequenos jornalista…que servem bem as diretrizes dos Civittas….esses sim que junto com FHC e alguns lords da Fiesp…tramaram tempos atraz um golpe….sim !um golpe contra LULA!
    O tempo mostrará esses fatos EEEEEEEE.

  • 109 Bruno // 19/November/2007 às 10:08

    Vim indicado pelo Salci Fufu. Agradeço as visitas originadas daqui.

    Sobre os menininhos maluquinhos da Veja, repito um ditado muito conhecido aqui no interior: os três juntos, trocados por merda é caro, e ainda perdemos o vasilhame.

  • 110 josef mario // 19/November/2007 às 10:11

    Companheiro hrp mané
    Eu, josef mario, devo dizer que esta imprensa golpista jamais conseguirá iludir o nosso povo. Como diria um destes companheiros idiotas que adoram fazer frases de efeito: “muitos enganam alguns durante algum tempo, alguns enganam muitos durante algum tempo, mas jamais muitos enganam muitos durante muito tempo”.
    Muito obrigado.

  • 111 nada será como antes // 19/November/2007 às 10:37

    Está claro que o foco não mais reside no teor da matéria sobre Che, parcial e infantil. O foco, agora, é de qualidade do jornalismo praticado, que transcende a temática e trata dos métodos de trabalho. Também nesse ponto o assunto está equacionado : é óbvio que o trabalho do norteamericano é superior ao daquele da “revista” nacional. A “revista” , que tem mais de 60% de seu espaço gráfico preenchido por anúncios, é um “folder” propagandístico,com “matérias” interpostas. Pelo conteúdo, deveria ser distribuida gratuitamente, de porta em porta ou no Viaduto do Chá. Certamente, seria dispensada na primeira lixeira, da mesma forma que o são os panfletos. Sobre os liberais, lembro de uma frase que ouvi há mais de vinte anos : “Um liberal é um fascista em férias e um fascista é um liberal acuado.”

  • 112 Mr X // 19/November/2007 às 10:48

    Acho que Schelp e RA fizeram e fazem bem en não quatreplicar. O papo esgotou há tempos. É uma historinha panaca que só saiu na mídia porque alguns jornalistas (a começar pelo próprio Anderson) decidiram tornar pública sua insatisfação com a demolição de um mito…

    A versão do Granma sobre a vida do Che também tá online, quem preferir leia aquilo.

  • 113 Mr X // 19/November/2007 às 10:51

    VEJA: tiragem de 1.100.000 exemplares.

    NEW YORKER: tiragem de 1.062.310 exemplares.

    I rest my case! ;-) :-P

  • 114 HRP Mané Reloaded // 19/November/2007 às 11:02

    A velhinha de Taubaté assina a Veja….pra dar risadas!

  • 115 Ricardo Cabral // 19/November/2007 às 11:04

    Mr. X, se fosse algum desagravo à Veja, ao RA et cetera, tenho minhas dúvidas se vc diria que o papo esgotou.
    Aliás, quando você diz que o que está em questão é a demolição de um mito, não ajuda a esgotar o assunto — muito pelo contrário, já que do que se fala neste caso é de bom jornalismo versus pseudo-jornalismo (ou jornalismo nenhum.) A sua fala apenas dá ainda mais munição a quem vê, no discurso à direita, o tipo de pseudo-argumentação puramente ideológica que a mesma direita afirma ser a prática corrente da esquerda, discussãozinha mofada, com ranço de guerra fria requentada nos grotões extremistas de Miami. Você sabe fazer bem melhor do que isso, vá!

  • 116 pedro direitoba // 19/November/2007 às 11:09

    Reinaldo Azevedo pode ter seus defeitos, mas, ao contrário de 90% dos jornalistas por aí, tem personalidade. Basta e sobra.

    Hitler, que vc. tanto gosta de citar, também tinha personalidade.

  • 117 Mr X // 19/November/2007 às 11:16

    Ôuquei, Esquertoba, agora sim uma comparação que faz sentido… Hum, deixaeuver, o Reinaldo Azevedo matou quantos milhões de pessoas mesmo? Quantos campos de concentração mandou construir? Poxa, não lembro. Vou ver se a Veja informa.

    No mais, Rick Cabral, a verdade é que só li o começo da reportagem da Veja sobre o Che e não achei o texto grande coisa, meio panfletário mesmo, como disse alguém. Continuo sem ver motivos para o Anderson, que não era o tema da reportagem, meter a sua colher invejosa.

  • 118 HRP Mané Reloaded // 19/November/2007 às 11:18

    Quando as coisas passam por mãos tão patéticas fica fácil detonar !
    Dá pra levar a serio Reinaldo e Diogo…..?
    EEEEEE….gente, imaginem o post que rola no blog do RÊ?
    Olha só a pilantragem! “Que tal um partido, de direita, democratico, e de massas, ehin?”
    AHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!!!!!!
    E quanto a reuniãozinha entre os Civittas, a Fiesp, Alckmin/FHC, e os donos do Itaú…..acredita quem quiser….”pero no lo creo en brujas”, mas que “elas existem ,existem!”EEEEEE

  • 119 HRP Mané Reloaded // 19/November/2007 às 11:23

    Olha só a argumentação….campos de concentração são uma caracteristica só dos regimes Stalinistas?
    E o que foram os nazistas ,Guantanamo, Biafra, Argentina, Chile eo inesquecivel Estadio Nacional?….bem, eu poderia escrever uma hora ou mais descrevendo locais aonde se matou, trucidou ,escravizou, degradou, humilhou e deixou morrer de fome….tudo em nome do capitalismo……ser mau, ruim, canalha travestido de uma ideologia…mesmo que ela seja cheia de boas intenções é o mais comum dos crimes do homem no poder ou em busca dele….no caso do capitalismo dinheiro e poder……quem matou mais?
    É assim que se resolve a pemdenga!?
    Leia Marx Poderoso MR.!
    Depois da sintese….o que vem?

  • 120 HRP Mané Reloaded // 19/November/2007 às 11:24

    pendenga!

  • 121 Mr X // 19/November/2007 às 11:24

    Uma coisa que não se vê todos os dias, Olavão elogiando o socialista Zapatero:

    http://www.olavodecarvalho.org/semana/071115jb.html

  • 122 Luis Zambone // 19/November/2007 às 11:32

    Eu só acho curioso que o Anderson jamais se manifestou para criticar nenhuma das inúmeras matérias que pintam o Che como santo, mártir, herói…

    Mas basta uma matéria cujo objetivo era exatamente mostrar o ‘outro lado’ da figura para ele dizer que é uma matéria parcial, ou hagiográfica.

    Fica CLARO que Anderson usa dois pesos e duas medidas para ‘criticar’ as matérias sobre Che: se positivas, não merecem reparo algum; se negativas, precisam mostrar o ‘outro lado’.

    É por causa desse tipo de situação que me desencanto cada vez mais com a esquerda…

  • 123 pedro direitoba